Apostei tanta vez neste jogo que é amar... No primeiro amor, foram infinitas apostas, lutei bastante por amor, lutava por ser único e para sempre, mas no entanto saí derrotada pela intransigência! Tentei jogar de seguida com apostas às cegas e platónicas, mas saí derrotada pela ingenuidade logo à primeira tentativa. Sem querer saber mais de amar, jogar ou de quaisquer intransigências ou ingenuidades comecei a desistir de lutar. Quis desistir de mim, quis mudar a minha pessoa, quis desistir de jogar todos os jogos do amor, para prosseguir um jogo muito estereotipado na sociedade: jogar para sobreviver. Começava a achar que amar era um jogo apenas dos livros, dos filmes ou dos teatros. Até que me perguntei: “Quantas derrotas exige uma vitória?” Não sei, mas não posso desistir de ser eu e desistir de jogar para amar! Não quis embrenhar-me pelas lutas da sobrevivência social moderna; quis repensar em todas as formas que me levaram à derrota e prosseguir como o vento; deixei a então a vida trazer-me a coragem e a força para lutar pela derradeira vitória, pelo verdadeiro amor. Devemos lutar sempre por amor, mas não devemos ignorar que ele aparece sempre quando não esperamos, da maneira que não idealizamos e fica para sempre da forma como nunca imaginamos. Só vence quem sempre lutou, derrota após derrota, se levanta e insiste em refazer a vida e voltar a lutar. Mudei as armas, mudei as tácticas, mudei as perspectivas. Ataque e defesa são técnicas que no jogo do amor são ambivalentes. Nem sempre nos devemos preocupar em jogar ao ataque e insistir na luta pela procura do amor, pois desses sucessivos ataques surgem derrotas que nos levam a um amor ilusório; mas também não nos devemos restringir só à defesa permissiva da derrota, pois o significado de ter perdido uma vez não nos inibe que na próxima luta não alcancemos a vitória e ganhemos o amor da nossa vida. Pois quando menos esperamos o ataque surge em momento de defesa e podemos sem querer correr para um contra-ataque em que alcançamos a maior vitória da nossa vida! Amar e ser amado da forma como somos, respeitando e sendo respeitado, valorizando e sendo valorizado. E neste jogo de amor, eu acredito que alcancei a vitória. Não sei quantas vezes fui derrotada, mas quando menos esperei, aproveitei a oportunidade, não desisti, contra-ataquei para lutar uma última vez e venci.
O retrato surrealista de uma vida concreta que se fixa no abstracto para viver...
segunda-feira, 26 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
2ª jornada do 22º Campeonato de Escrita Criativa
Rasgou o papel e tomou a decisão.
“Já não quero mais! Quero-te a ti, e a nós. Não quero desistir do que construímos juntos, do que sonhámos juntos, e de tudo o que planeámos juntos. Não somos só tu e eu. Somos nós. Não vai haver mais alguém, mais nada, ou o quer que seja entre nós. Quero que renasça o amor, a união, o entendimento, a compaixão, o carinho, a solidariedade, a entrega, a confiança, e tudo o que necessitamos para nos mantermos fiéis um ao outro e a nós mesmos. Quero provar que mereço mais uma oportunidade, a derradeira oportunidade de nunca mais acabar. O que começámos não pode acabar. Custou muito lutar, acalmar, construir, planear, sonhar em sermos quem somos: um do outro. Não quero acabar desta forma. Não! Se te prometi que era para sempre, será para sempre. Também me levantarei e mudarei por ti; e também te ajudarei a te levantares e a mudares, se assim estás disposto por mim. Vamos lutar juntos, como sempre lutamos; não tens que ser só tu a lutar por mim. Vamos acalmar juntos, como sempre nos acalmamos um ao outro em todos os nossos dias de euforia e constrangimento. Vamos reconstruir juntos o que sem querer destruímos depois de tanta construção. Vamos voltar a planear juntos, deixarmos de nos preocuparmos apenas connosco próprios. Vamos voltar a sonhar juntos e a acreditar que nunca deixamos nem vamos deixar de ser um do outro! Eu sei que errei, que prevariquei, que te deixei sozinha, que me importei mais comigo do que connosco, e que em certas alturas até me esqueci de ti. Sei que tens razão em muitos dos defeitos quem em mim apontas, pois em ti vejo o reflexo do meu egocentrismo. Quero evoluir por quem por mim evolui. Quero melhorar por quem por mim melhora. Quero lutar por quem por mim todos os dias luta. A vida está cheia de artimanhas para separar o que a própria vida uniu. E eu não quero errar em me ver longe de quem me ama só porque decidi mal. O que eu decidir no momento errado pode levar-me para longe do que eu realmente quero e desejo. Não quero que um impulso me leve para longe de quem amo. Pois afinal de contas, foste, és e sempre serás a mulher da minha vida!”
E depois disto: viveram felizes para sempre.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
1ª jornada do 22º Campeonato de Escrita Criativa
Um homem está, ao volante, parado diante de um semáforo vermelho. E num segundo sem que ninguém previsse um camião sem travões galga por trás do seu carro...
- O que se
está a passar? Que acidente terrível estou eu aqui a ver agora à minha frente!
Mas eu estava à um bocado a pensar no que ia fazer agora que saí do trabalho,
ainda não me tinha decidido… Que estou eu aqui a fazer na rua a ver este
acidente aparatoso?! Tenho que voltar para o carro… Mas eu estava dentro
daquele carro! Aquele carro é o meu carro! Aquele camião esmagou o meu carro!
Eu estava naquele carro! Não, não estou, estou aqui! Estou aqui a ver o
acidente do meu carro? Porque estou aqui se eu estava ao volante do meu carro a
pensar no que ia fazer quando chegasse a casa depois do trabalho? Porque todos
os dias quando saio do trabalho penso sempre no que vou eu fazer a seguir?
Porque tenho de passar a minha vida a pensar e decidir o que fazer depois do
trabalho? Estou a sentir saudades dos meus amigos! E da minha família! Eu nunca
passo tempo com os meus amigos… Nem com a minha família! Sou tão intransigente
com eles; passo os dias a trabalhar, a pensar e a decidir o que fazer quando
chego a casa! Espera… Eu estou no meu carro! Eu estou a ver o meu acidente de
carro? Eu estou aqui?! Ou eu estou ali?! O que me está a acontecer? Que
sentimentos me estão a chegar agora? O que estou eu a pensar agora? Quero ir
para casa e quero trabalhar! Onde trabalho eu? Onde vivo eu? Eu já não estou
aqui? O que me aconteceu? Quem sou eu? Quem fui eu?! Queria tanto ter sido
feliz… Não pode ter acabado agora… Eu estava a viver um dia normal da minha
vida! Queria ter provado à minha mulher que a amo efectivamente, queria ter
dito “Obrigado” aos meus pais, queria ter convivido mais com os meus amigos,
queria ter tido mais tempo para pensar nos outros, e não tanto em mim! Vivi
mais tempo a trabalhar e a pensar na minha vida que me esqueci de vivê-la
realmente! Agora estou aqui perante o fim da minha vida, perante a vida que não
vivi!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Luar
Espera-me no local de todas as nossas noites, identificar-me-ás ao longe, pois estarei na sombra do luar.
Sente-me a respirar, estarei ladeada dos vapores provenientes da luz que ilumina a noite.
Abraça-me e marca esse negro e iluminado cenário catedrático como símbolo do nosso amor.
Beija-me no escuro da noite, todos os sentimentos que me ofereceres trazer-te-à luz nas trevas da tua vida.
Canta-me uma melodia com todos os teus sentimentos, ouvir-te na sombra tornar-se-à na maior recordação que alguma vez me ofereceram.
Adormece comigo ao luar. Quero contigo amanhecer e contigo iniciar uma nova e eterna jornada na nossa vida.
Sente-me a respirar, estarei ladeada dos vapores provenientes da luz que ilumina a noite.
Abraça-me e marca esse negro e iluminado cenário catedrático como símbolo do nosso amor.
Beija-me no escuro da noite, todos os sentimentos que me ofereceres trazer-te-à luz nas trevas da tua vida.
Canta-me uma melodia com todos os teus sentimentos, ouvir-te na sombra tornar-se-à na maior recordação que alguma vez me ofereceram.
Adormece comigo ao luar. Quero contigo amanhecer e contigo iniciar uma nova e eterna jornada na nossa vida.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
O passeio da vida... XI
Não são momentos especiais que tornam as pessoas únicas; são pessoas especiais que tornam os momentos únicos.
terça-feira, 7 de maio de 2013
O passeio da vida... X
As pessoas que não me conhecem e pensam que me conhecem deveriam ir para um hospício conhecerem-se elas próprias.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Todos precisamos...
Às vezes só precisava de alguém que me escutasse na altura
que mais preciso de desabafar. Alguém que valorizasse não só o que digo, mas também
os meus sentimentos, e ao mesmo tempo soubesse, assertivamente, apontar os meus
erros e defeitos. Alguém que não me julgasse e não usasse dos interesses e
sentimentos pessoais para repor a minha razão. Alguém que querendo interceder o
meu pensamento fosse coerente e tivesse em atenção os sentimentos que possuo. Preciso
de alguém que se lembre de mim quando eu de mim esqueço. Alguém que não me
analise ou subestime. Alguém que exista para mim, e que me queira conhecer para
além do que eu me conheço. Ter alguém que sem ligação física seja omnipresente,
sem interesse seja consciente, e sem relação directa seja interveniente.
Realmente
como toda a gente precisa de alguém deste modo, mas ninguém possui porque por e
simplesmente não existem pessoas assim. E nem as pessoas têm que se relacionar
assim… Mas quantos são aqueles que acreditam que existem e caem na loucura de
se negarem e de procurarem incessantemente alguém que o seja? Apenas sendo um
pouco louco, se acredita que a pessoa que escolhemos para o que precisamos é a
pessoa tal como precisamos. Só sendo um pouco louco, se consegue lidar com a
percepção que precisamos de alguém, que não se possui, e que mesmo assim
acreditamos que conseguimos lidar com todas as pessoas sabendo que elas não são
o que precisamos. Só sendo um pouco louco se cria amigos imaginários, metafísicos,
espirituais, ou qualquer outro nome que queiram chamar para suportar tudo
aquilo que necessitamos e sabemos que não existem em qualquer pessoa que
conheçamos. Só sendo um pouco louco se foge para um mundo solitário, longe de
todas pessoas só porque não se encontrou alguém tal como precisamos. Só sendo
um pouco louco se consegue ser normal. Portanto engane-se quem pensa que é
normal, porque “de tolos e loucos todos temos um pouco”. Ou seja, todas as
pessoas precisam de alguém… Alguém que seja um pouco louco para ser (um pouco) o
que precisamos!
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