quinta-feira, 17 de março de 2011

O passeio da vida... # III

Estava à momentos a falar de homens com uma amiga e chegamos à grande conclusão que todos eles têm uma enorme capacidade de tornar o universo deles único. Tudo o que eles dizem tem um fundamento próprio, utópico, inaintrepertável por mulheres. As relações humanas como toda a gente sabe (no mínimo, as mulheres sabem) têm por vezes explicações inquestionáveis. Cada um tem uma relação própria com cada uma das muitas pessoas que conhecem; sejam elas amigos, namorados, família, etc. E estas relações não têm qualquer explicação lógica. Nem todos nós somos educados da mesma forma, nem todos nós amamos da mesma maneira ou com a mesma intensidade e devoção. Os sentimentos não têm definição própria, a meu ver, têm apenas formas de expressão. Formas de expressão essas que eles querem que nós as definamos para depois fazerem a sua redefinição simplista. E quem fala de sentimentos, fala de outras questões existentes na vida de um homem.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Paixão Proibida

Pintura "Nômades Amantes do Tempo" por Bruno Steinbach Silva
Texto publicado em Provoca-me

Ainda me lembro de todos os pormenores. Do som das tuas palavras ao meu ouvido, das cores do quarto de hotel, do cheiro da tua pele, e de todo aquele calor que sentimos. E o teu corpo majestoso, os teus olhos brilhantes, o teu sorriso sedoso, as tuas mãos que tão bem embalavam o meu corpo naquela noite... Ainda consigo sentir o pecado que viveu em mim. A quantidade de adrenalina que se esvaziou para as minhas veias foi tal, que ainda hoje me alimenta o desejo, e com toda a certeza residirá em circulação para sempre. O coração batia cada vez mais acelerado, mas o cérebro negava todos os impulsos. Queria ficar, o desejo sedento de te envolver, de te conhecer e de me entregar como nunca me tinha entregado a alguém. A força das hormonas conseguiu vencer o meu consciente pecador. A tua sedução venceu. Entreguei-me, não sabia como, mas estava ali. Foi ali num clima nunca antes sentido, num ambiente totalmente desinibido e de excitação, que nos entregamos um ao outro.
Lembro-me de a minha razão ter perguntado ao coração se valeria a pena, se tal pecado seria alguma vez perdoado. Perdoei-me mas não foi de imediato. Só muito depois de te ter tido em mim é que realmente equacionei os sentimentos. Perdoei-me porque de uma maneira ou de outra, e apesar de todos os devaneios que habitavam naquele quarto, tudo foi sentido, houve paixão.
Fecho os olhos e revejo aquela noite. Os teus braços abraçavam-me como que a pedir de alguma forma autorização para me teres. E o momento em que tocas nos meus lábios senti que te tinha concedido o desejo. Avançaste com as tuas mãos grandes e aveludadas, e agarraste-me com vigor. Despi-me logo após de te ver despir em escassos segundos. Ambos queríamos aproveitar todos aqueles momentos a medo que o tempo acabasse ou que eu me arrepende-se. E não, não me arrependi, segui em frente. Tocava-te loucamente, abraçava-te tão forte, queria que me sentisses só tua. O calor habitou em nossos corpos, e o meu pecado capital naquela noite viveu em ti.
Reviveria tudo outra vez. Sentiria novamente os teus beijos, o teu calor, o teu desejo... Cairia na tua cama, ter-te-ia novamente em mim, só para encher uma vez mais o coração daquilo que ainda sinto por ti. Arrepia-me a ideia de um dia poder voltar a sentir o teu toque. É tudo passado, é tudo lembrança, e hoje tudo reinventado seria apenas uma quimera. Aqueles minutos já passados, já queimados, de ouro pecaminoso não voltam mais. Agora só o sonho traz ao coração aquela paixão proibida.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O passeio da vida... # II

A crise dos dias de hoje deixa-nos à porta dos bancos, e eu pessoalmente odeio bancos. Cartões de crédito, taxas de juro, despesas de manutenção e de sei lá mais o quê, é algo que me faz borbulhar. Não me vou alongar muito por este assunto, mas eu e os bancos só não vivemos cada um para seu lado por causa da modernidade da nossa sociedade, está de tal modo tão evoluída em sua dependência que já não me permite viver sem eles. E eu sou uma mulher moderna, caramba! (Podia dizer que não tenho dinheiro, mas é sempre muito mais suis generis dizer que sou moderna, não acham?) A realidade é que nunca quis cá empréstimos bancários, nem dinheiros emprestados de entidades "crava ferroadas". Ou será que até hoje nunca precisei? Nunca precisei, mas também nunca me achei de que com nada quisesse ter tudo. Hoje muitos até têm tudo, mas vêm-se às aranhas para não ficar com nada.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O passeio da vida... # I

Se a minha vida acabar neste capítulo, e vendo-a retrospectivamente, acho que tinha sido feliz. Mas... o facto é que ando perdida com os dias que atravesso. E depois a lembrar-me dos dias com que construi o meu passado, é que me transcendo para o modo HELP. É isso mesmo: SOCORRO: tempo volta para trás. SOS - STOP - BACKWARD. Como eu fui feliz quando me considerava a patinho feio da turma, como eu fui feliz ao ser humilhada pela miúda da outra turma que saía com o tipo de quem gostava. Como eu fui feliz a levar umas palmadas da minha mãe... Todos estes episódios fizeram-me mais forte, por isso, de um modo ou de outro, fui feliz. Ah, é verdade, lembrava-me agora! E a felicidade com que ouvia as explicações maravilhosas que os irmãos mais velhos tinham para tudo o que eu perguntava? Coisa inimaginável, os irmãos saberem tudo o que eu precisava para ser feliz!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Estava eu sozinha naquela festa de amigos, de colegas, de amigos dos amigos, de colegas dos colegas, de amores e de desamores. Estava eu ali… sem amor ou algo que o representasse por si. Uns festejam, outros riem, uns brindam, outros sucumbem ao álcool nas veias. Olho em redor, e vejo-me ali sozinha, calada, ausente do mundo que festeja em grande plano um qualquer evento sem importância. Tento abstrair-me da minha solidão, e de cada vez que tento saltar cá para fora alguém muito entusiasticamente me rouba a oportunidade. Já não aguentava lutas de lideranças por um posto de popularidade momentâneo numa festa inventada, e naquele momento ansiava por um take off dali por fora. Encontrava-me já a imaginar o meu momento à american teenage films, em que naquele baile encontraria o homem da minha vida, ou talvez só o homem daquela noite, sei lá... Não, isso não me aconteceu. E durante algum tempo apenas mirava o filme de cada conhecido. Ria-me de uns, meditava acerca do degradante de outros, e naquilo constatei que existia quem estivesse em pior situação que eu naquele momento. Enfim... Havia ali muito para ver e para comentar, mas não teci este estilo de levar a noite durante muito tempo, até porque não sou pessoa de avaliar os outros consoante o que faço ou digo, e vice-versa. Por momentos dei-me a pensar na quão estúpida era a minha vida; sem sabor, sem amor, ou sem felicidade aparente. Sem saber porquê comecei a sentir-me incomodada de ali estar. E foi naquele instante que me passou pela cabeça se naquela festa poderia estar alguém não muito meu amistoso. Olhei em redor, e não é que estava mesmo? Estava nada... A única pessoa que me podia “aziar” naquele momento teria muito mais que fazer da vida, e ali muito ou pouco, só estavam amigos. É que nem amores, nem desamores! Ninguém para implicar e pior que tudo, ninguém para namorar! Socorro, eu não estou aqui! Que seca de festa, de evento, de convívio, … Porque é que eu não trouxe par? Não havia par neste dia? Não me lembrava de ter pensado nisso. Ultimamente havia estado mergulhada numa tal introspecção, que fazia de mim estúpida e imbecil, e que cada coisa que me fizesse pensar parecia que me tornava cada vez mais deprimida. Enfim… Estava ali estupidamente sozinha por minha culpa. Porque raio não me lembrou levar alguém? Quereria eu de maneira indirecta alguma coisa? Se calhar!... O facto é que naquele momento eu ansiava algum desenvolvimento naquela festa deprimente, e não falava só devido ao meu estado de alma, o real curso daquele convívio estava muito aquém do que muitos esperavam. Nada parecia bem organizado, havia-se instalado uma espécie de diversão our self muito esquisita. Ao que parecia já havia muita gente, aos pares ou em grupos, com o mesmo (ou maior) grau entediante que o meu. Enfim… Farta de tudo o que via e sentia lá me decidi ir embora. Já tinha consumido horas q.b., estava mais que na hora de desligar dali. De repente parecia que eu tinha passado de um modo pesado para um de alívio. Assim sendo, dirigi-me a um casal amigo meu para me despedir, e agradecer de certo modo o que eles me haviam proporcionado naquele convívio. São amigos de longa data, mereciam (e merecem) um carinho especial, e naquela noite tinham sido os únicos amigos louváveis, merecedores de uma justificação plausível para a minha partida antecipada. Estava a acabar uma noite à muito desejada por ser terminada. Será que terminou? Só sei que ali terminava uma noite tenebrosa. Saí daquela casa à boleia do motorista do tal casal amigo. Lembra-me de estar moderadamente encantada com o sorriso do rapaz. Entrei no carro leve e solta, pronta para mudar o rumo daquela noite, que ali tinha terminado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Odiar para quê?

Pobre ódio que alimentas. Que pessoa vazia... Paixões, amores, amizades, e ternuras nunca tidas, nunca lembradas, nunca semeadas... Transbordas de inveja, que só a vês nos outros. Que mais te falta? De que mais precisas? Tem uma história de amor (mesmo que seja fugaz), partilha a tua vida com os demais. Não te focalizes apenas nos óbvios e no politicamente correcto. A tentativa de perfeição nunca te fará perfeito. Menosprezar é de um tão pobre de espírito que atrever-me-ia a dizer que vives em simbiose. Mas lembra-te que nenhuma relação é simbiótica a vida inteira! Depois da simbiose viverás com mais ódio ainda... dos que não amaste, dos que desprezaste, e até dos que deste amor demais e que o seu prazo de reciprocidade expirou! Invejarás quem foi, é e sempre será independente de tudo e todos. Verás que viste nos outros tudo aquilo que és, e que foi um erro focalizar sentimentos penosos. Todos nós amamos, de modos e maneiras tão grotescas, mas se não agirmos nem que seja um pouco de maneira estereotipada como alguém sabe que somos amados? Bastará proferir palavras soltas? Claro que não... palavras soltas leva-as o vento. E os gestos por seu lado ficam, marcam, fazem-se sentir. Não mereces o apreço que tenho por ti. Passo por ti e só me espanto da insensibilidade que me é alvejada. Insensibilidade que aprendi a alvejar também. A vida acostumanos, e se ela souber a amargo é porque da travessa de onde provei a comida tinha esse trago, e com um sabor de fazer franzir o sobrolho, a vida tem que ser franzida também. Não serei eu a única, decerto ninguém (nem eu) revelará falta de interesse; interessa-me apenas ignorar, monesprezar, ... Dar de beber o próprio veneno; armazenei-o, não o preciso de fabricar. Não ajo da mesma maneira, tive que aprender a viver em consequência do teu ser, e só por isto posso dizer que ajo de "igual modo". Podia ter sido de outra maneira... agora só me resta "pena", o sentimento mais desprezível. Pensei que fosses como te pintavam, afinal só te pintam bonito para não ficares ainda pior! Desejo-te o dobro do que me desejas a mim, e não penses que te odeio. Não odeio quem quer que seja só porque me odeia. Não tenho de deixar de te respeitar porque me odeias... tenhas o mundo inteiro para comprar ou para vender. Tenho princípios, cresci com eles, reformulei muitos deles, mas nunca esquecerei que ser eu mesma, e como só eu sei ser, vale muito mais que qualquer imitação cara! Sê feliz, e deixa-me a mim sê-lo também!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


Acordei de um pesadelo? Não acordei? Estou viva? Devia estar! Terão sido as palpitações terríveis que me fez ter este pesadelo? Tenho certeza que estou a dormir ou num mundo destinado a pessoas que não deviam viver. Provavelmente não vivi, o coração deve ter estoirado, a vida entrou numa aceleração perigosa onde o pesadelo provocou uma paragem catastrófica. Não merecia morrer, mas também não merecia viver pressionada num coração que não cabia no lugar dele. O oxigénio não chegava aos pulmões e o sangue não chegava ao cérebro e aos órgãos que me alimentam a vida. Debatia-me num ambiente fechado, sem ar, sem luz e sem alimento. Continuei a debater-me, não era uma planta, precisava de mais e tentei viver… o coração não aguentou! Também não era uma máquina de surpresas, onde se insere a moeda e mecanicamente tudo funciona bem, desde que a energia seja devidamente fornecida. Se fosse realmente uma máquina, acho que a energia não estaria a ser recepcionada a 220V, provocaram uma descarga que queimou todo o sistema, terão que provavelmente efectuar uma substituição, mas terão que ter cuidado para seleccionar uma máquina sem cérebro ou coração. Porque quando racionalizava verificava que o coração apenas trabalhava a sangue, os sentimentos tinham-se esvaziado, não havia reciprocidade. O coração esvaziou-se, gastei tudo o que tinha para gastar, depois disso sobrou uma máquina fraca; uma descarga eléctrica provocada pela negligência de um utilizador que nunca leu o livro de instruções, e que resolveu brutalizar o modo de funcionamento, estoirando o meu sistema. A maioria dos utilizadores julga conhecer a tecnologia que possui, mas poucos a conhecem de facto. As pessoas deixam de ser inteligentes quando entram no campo da adivinhação e da suposição e quando fazem disso a sua verdade empírica. Acabou… não tenho mais arranjo, o fusível estoirou! Já não existe sentimentos, energia ou vida que me mantenha viva. Teria sido bem melhor se tivesse sido como queriam que fosse ou se tivesse trabalhado como queriam que trabalhasse; teria sofrido menos, ao invés disso fui eu própria. Agradeço a todos os que conheci e aos que não conheci, de alguma forma fizeram-me ver que merecia ser única. Os que realmente me conheciam, e que de certo modo lutaram para que me mantivesse viva, provaram que o amor e a amizade são o ingrediente fundamental numa vida; os que nunca me quiseram conhecer, que negligenciaram a minha maneira de ser, acabaram com o meu sofrimento, mas não acabam com a sua própria angústia se nunca na vida conhecerem ninguém. Lembrem-se do que Saint Exupery dizia pela voz de “O Principezinho”, “o essencial é invisível aos olhos”.