quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


Estava eu sozinha naquela festa de amigos, de colegas, de amigos dos amigos, de colegas dos colegas, de amores e de desamores. Estava eu ali… sem amor ou algo que o representasse por si. Uns festejam, outros riem, uns brindam, outros sucumbem ao álcool nas veias. Olho em redor, e vejo-me ali sozinha, calada, ausente do mundo que festeja em grande plano um qualquer evento sem importância. Tento abstrair-me da minha solidão, e de cada vez que tento saltar cá para fora alguém muito entusiasticamente me rouba a oportunidade. Já não aguentava lutas de lideranças por um posto de popularidade momentâneo numa festa inventada, e naquele momento ansiava por um take off dali por fora. Encontrava-me já a imaginar o meu momento à american teenage films, em que naquele baile encontraria o homem da minha vida, ou talvez só o homem daquela noite, sei lá... Não, isso não me aconteceu. E durante algum tempo apenas mirava o filme de cada conhecido. Ria-me de uns, meditava acerca do degradante de outros, e naquilo constatei que existia quem estivesse em pior situação que eu naquele momento. Enfim... Havia ali muito para ver e para comentar, mas não teci este estilo de levar a noite durante muito tempo, até porque não sou pessoa de avaliar os outros consoante o que faço ou digo, e vice-versa. Por momentos dei-me a pensar na quão estúpida era a minha vida; sem sabor, sem amor, ou sem felicidade aparente. Sem saber porquê comecei a sentir-me incomodada de ali estar. E foi naquele instante que me passou pela cabeça se naquela festa poderia estar alguém não muito meu amistoso. Olhei em redor, e não é que estava mesmo? Estava nada... A única pessoa que me podia “aziar” naquele momento teria muito mais que fazer da vida, e ali muito ou pouco, só estavam amigos. É que nem amores, nem desamores! Ninguém para implicar e pior que tudo, ninguém para namorar! Socorro, eu não estou aqui! Que seca de festa, de evento, de convívio, … Porque é que eu não trouxe par? Não havia par neste dia? Não me lembrava de ter pensado nisso. Ultimamente havia estado mergulhada numa tal introspecção, que fazia de mim estúpida e imbecil, e que cada coisa que me fizesse pensar parecia que me tornava cada vez mais deprimida. Enfim… Estava ali estupidamente sozinha por minha culpa. Porque raio não me lembrou levar alguém? Quereria eu de maneira indirecta alguma coisa? Se calhar!... O facto é que naquele momento eu ansiava algum desenvolvimento naquela festa deprimente, e não falava só devido ao meu estado de alma, o real curso daquele convívio estava muito aquém do que muitos esperavam. Nada parecia bem organizado, havia-se instalado uma espécie de diversão our self muito esquisita. Ao que parecia já havia muita gente, aos pares ou em grupos, com o mesmo (ou maior) grau entediante que o meu. Enfim… Farta de tudo o que via e sentia lá me decidi ir embora. Já tinha consumido horas q.b., estava mais que na hora de desligar dali. De repente parecia que eu tinha passado de um modo pesado para um de alívio. Assim sendo, dirigi-me a um casal amigo meu para me despedir, e agradecer de certo modo o que eles me haviam proporcionado naquele convívio. São amigos de longa data, mereciam (e merecem) um carinho especial, e naquela noite tinham sido os únicos amigos louváveis, merecedores de uma justificação plausível para a minha partida antecipada. Estava a acabar uma noite à muito desejada por ser terminada. Será que terminou? Só sei que ali terminava uma noite tenebrosa. Saí daquela casa à boleia do motorista do tal casal amigo. Lembra-me de estar moderadamente encantada com o sorriso do rapaz. Entrei no carro leve e solta, pronta para mudar o rumo daquela noite, que ali tinha terminado.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Odiar para quê?

Pobre ódio que alimentas. Que pessoa vazia... Paixões, amores, amizades, e ternuras nunca tidas, nunca lembradas, nunca semeadas... Transbordas de inveja, que só a vês nos outros. Que mais te falta? De que mais precisas? Tem uma história de amor (mesmo que seja fugaz), partilha a tua vida com os demais. Não te focalizes apenas nos óbvios e no politicamente correcto. A tentativa de perfeição nunca te fará perfeito. Menosprezar é de um tão pobre de espírito que atrever-me-ia a dizer que vives em simbiose. Mas lembra-te que nenhuma relação é simbiótica a vida inteira! Depois da simbiose viverás com mais ódio ainda... dos que não amaste, dos que desprezaste, e até dos que deste amor demais e que o seu prazo de reciprocidade expirou! Invejarás quem foi, é e sempre será independente de tudo e todos. Verás que viste nos outros tudo aquilo que és, e que foi um erro focalizar sentimentos penosos. Todos nós amamos, de modos e maneiras tão grotescas, mas se não agirmos nem que seja um pouco de maneira estereotipada como alguém sabe que somos amados? Bastará proferir palavras soltas? Claro que não... palavras soltas leva-as o vento. E os gestos por seu lado ficam, marcam, fazem-se sentir. Não mereces o apreço que tenho por ti. Passo por ti e só me espanto da insensibilidade que me é alvejada. Insensibilidade que aprendi a alvejar também. A vida acostumanos, e se ela souber a amargo é porque da travessa de onde provei a comida tinha esse trago, e com um sabor de fazer franzir o sobrolho, a vida tem que ser franzida também. Não serei eu a única, decerto ninguém (nem eu) revelará falta de interesse; interessa-me apenas ignorar, monesprezar, ... Dar de beber o próprio veneno; armazenei-o, não o preciso de fabricar. Não ajo da mesma maneira, tive que aprender a viver em consequência do teu ser, e só por isto posso dizer que ajo de "igual modo". Podia ter sido de outra maneira... agora só me resta "pena", o sentimento mais desprezível. Pensei que fosses como te pintavam, afinal só te pintam bonito para não ficares ainda pior! Desejo-te o dobro do que me desejas a mim, e não penses que te odeio. Não odeio quem quer que seja só porque me odeia. Não tenho de deixar de te respeitar porque me odeias... tenhas o mundo inteiro para comprar ou para vender. Tenho princípios, cresci com eles, reformulei muitos deles, mas nunca esquecerei que ser eu mesma, e como só eu sei ser, vale muito mais que qualquer imitação cara! Sê feliz, e deixa-me a mim sê-lo também!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010


Acordei de um pesadelo? Não acordei? Estou viva? Devia estar! Terão sido as palpitações terríveis que me fez ter este pesadelo? Tenho certeza que estou a dormir ou num mundo destinado a pessoas que não deviam viver. Provavelmente não vivi, o coração deve ter estoirado, a vida entrou numa aceleração perigosa onde o pesadelo provocou uma paragem catastrófica. Não merecia morrer, mas também não merecia viver pressionada num coração que não cabia no lugar dele. O oxigénio não chegava aos pulmões e o sangue não chegava ao cérebro e aos órgãos que me alimentam a vida. Debatia-me num ambiente fechado, sem ar, sem luz e sem alimento. Continuei a debater-me, não era uma planta, precisava de mais e tentei viver… o coração não aguentou! Também não era uma máquina de surpresas, onde se insere a moeda e mecanicamente tudo funciona bem, desde que a energia seja devidamente fornecida. Se fosse realmente uma máquina, acho que a energia não estaria a ser recepcionada a 220V, provocaram uma descarga que queimou todo o sistema, terão que provavelmente efectuar uma substituição, mas terão que ter cuidado para seleccionar uma máquina sem cérebro ou coração. Porque quando racionalizava verificava que o coração apenas trabalhava a sangue, os sentimentos tinham-se esvaziado, não havia reciprocidade. O coração esvaziou-se, gastei tudo o que tinha para gastar, depois disso sobrou uma máquina fraca; uma descarga eléctrica provocada pela negligência de um utilizador que nunca leu o livro de instruções, e que resolveu brutalizar o modo de funcionamento, estoirando o meu sistema. A maioria dos utilizadores julga conhecer a tecnologia que possui, mas poucos a conhecem de facto. As pessoas deixam de ser inteligentes quando entram no campo da adivinhação e da suposição e quando fazem disso a sua verdade empírica. Acabou… não tenho mais arranjo, o fusível estoirou! Já não existe sentimentos, energia ou vida que me mantenha viva. Teria sido bem melhor se tivesse sido como queriam que fosse ou se tivesse trabalhado como queriam que trabalhasse; teria sofrido menos, ao invés disso fui eu própria. Agradeço a todos os que conheci e aos que não conheci, de alguma forma fizeram-me ver que merecia ser única. Os que realmente me conheciam, e que de certo modo lutaram para que me mantivesse viva, provaram que o amor e a amizade são o ingrediente fundamental numa vida; os que nunca me quiseram conhecer, que negligenciaram a minha maneira de ser, acabaram com o meu sofrimento, mas não acabam com a sua própria angústia se nunca na vida conhecerem ninguém. Lembrem-se do que Saint Exupery dizia pela voz de “O Principezinho”, “o essencial é invisível aos olhos”.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O que é Urgente minha gente?



É urgente sorrir
É urgente amar
É urgente mudar mentalidades
É urgente ser feliz
É urgente banalizar bens
É urgente acabar com invejas
É urgente ajudar
É urgente ser honesto
É urgente reflectir
É urgente dar um abraço
É urgente sonhar
É urgente respeitar
É urgente socializar
É urgente brincar
É urgente acabar com intrigas
É urgente dar um beijo
É urgente perdoar
É urgente saciar
É urgente ensinar
É urgente limpar as lágrimas
É urgente acabar com guerras
É urgente ser verdadeiro
É urgente brindar
É urgente conhecer
É urgente evoluir
É urgente Viver...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

Desejo a todos os que por aqui passam UM FELIZ E SANTO NATAL... E tentem lembrar-se o que é o Natal! Esta época não são só cores, não são só presentes, não é só euforia... Devíamos ser o Natal todos os dias e vivê-lo com o verdadeiro espírito de amor!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um amigo, a razão, ou ambas?

A vida tem comentários espantosos do género: "Mas que raio?! Não pode ser!". Foi o que exclamadamente questionei quando constato que te tinha reencontrado, embora virtualmente, mas tinha-te encontrado. Aliás, encontraste-me! Um grande amigo de infância e da família, que cresceu e me viu crescer, e que hoje, depois de me ter reencontrado, chateia-me para ter o seu próprio post neste blog... (eheh) Hoje és como que a minha razão... Não vejo o dia de poder voltar a esticar-me para te dar uma beijoca ou fazer-te ir à casa-de-banho para tratares de algum soco que te possa dar no nariz, consequência de algumas cócegas que possas vir a querer fazer nos meus pés! Outrora eras um rapaz quase que um irmão, hoje és um senhor! Mas um senhor inteligente, hein... Ah e tal... não és inteligente? És sim, se não fores inteligente, pelo menos tenho-te como tal. :P És tudo melhor que eu! Não vou dizer que não o és porque és... Dos momentos que temos conversado sei que sim... És tal e qual o teu homólogo, uma das pessoas que mais marcou a minha infância (só de lembrar as belas palmadas que levava... UII)! Tu, tal como ele, és forte, persistente, simpático, (inteligente já referi), brincalhão, chato, exigente, e... sei lá mais o quê! Aposto que onde quer que ele esteja vai estar orgulhozissímo de ti. És amigo dos teus amigos, valorizas as pessoas que amas, lutas pelos teus objectivos, e lutas mais que tudo pelos teus mais-que-tudo! (eheh) Podias ter feito mais, podias ter feito melhor, mas se não o tivesses feito à tua maneira não te tornarias único. Hoje destacas-te à tua maneira mesmo que te pareças com ele! Criou-te com os mesmos valores com que hoje crias os teus filhos, e isso é quanto basta para um pai se orgulhar de um filho! Em relação a isso não tenho muito mais para dizer, pois "o essencial é invisível aos olhos...", e tu bem sabes que sim. E ele? Ele saberá muito mais que nós!
Pois é... Muito sabes da minha vida, mas muito mais está ainda por saberes. E por saber o que sabes e não sabes de mim, pelos sermões saudáveis que me dás, pelo tempo que perdes a explicar o teu ponto de vista e a analisar o meu, posso dizer que és como que a minha razão. Tenho noção de que ainda não sabes tudo acerca de mim porque ainda confio muito pouco para o poder revelar. Não por tua culpa! É que durante uma vida nem sempre levamos o melhor caminho, e mesmo em bons caminhos por vezes temos que passar por dias de muita chuva torrencial e de calor abrasador! Mas o que me descentraliza mesmo são as comparações e as metáforas da vida, não me deixam ser a pessoa única que quero ser! E é um pouco isto que me faz não confiar... Não por tua culpa, mas sim um pouco por minha! Como hei-de confiar nos outros, quando por vezes nem em mim confio? Pois é... (quase que já vejo a frase com que me responderias a isto) Estás a ver porque te chamo "a minha razão"? Como vês, até à minha razão sou capaz de esconder factos e reflexões que a mim me doem. Não sei se por vergonha, se por incapacidade de ser eu, se por medo de mim mesma... Acho muito sinceramente que não acabei por ser eu, ando por aqui a ser alguém que alguém quer que eu seja, e assim lá vou sendo quem eu posso ser! Vou luntando para ser única, pois já não sou o que fui e agora sou o que nunca fui! Enfim... não sei se me entendeste, mas pelo menos espero que tenhas percebido... És a minha razão... Percebes-me! És das pessoas que mais me tem valorizado, e feito pensar que mereço mais e melhor.
Vendo a vida retrospectivamete, tenho pena do espaço cronológico em que não estiveste presente. A tua amizade podia ter sido o travão (ou a caixa de velocidades) que precisei quando encontrei algumas lombas e não consegui abrandar; ter-me-ías reduzido umas quantas mudanças na minha vida. Agora até tens sido um afável acelerador, mas como a minha vida é um carro de baixa cilindrada não hei-de conseguir andar muito mais que a velocidade do costume, diria que o motor já desenvolveu o que tinha a desenvolver; sou um carro à imagem e semelhança do que efectivamente tenho. (lol) Agora, só mesmo se for para troca... (têm é que dar um incentivo ao abate).
No início dizia que gostava muito de poder-te dar uma beijoca, rever o amigo que tive o prazer de reencontrar, conhecer pessoalmente a minha razão... Mas o ideal seria mesmo poder partilhar a alegria que deve ser a tua família, algo contagiante, algo verdadeiro, sem corantes nem conservantes, sem sorrisos comparáveis, e com amor saudável! Espero um dia voltar a encontrar-te; não decepciones esta (ainda nova) velha amiga, e que seja ultrapassada a barreira da distância e do virtual.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A meia vida de uma vida...


Tudo começa com uma semente...
Num dia um pé cresce,
no outro uma árvore floresce!
A vida é bela e triste.
Uns dias animados e reluzentes,
noutros sombrios e nublados!
Viver enaltece-nos, mas também entristece-nos!
Surge o Outono e o Inverno,
segue-se a Primavera e o Verão...
Sempre a mesma rotina,
sempre o mesmo coração!
O ciclo urge e ninguém pára!
A vida continua e nada nos enfeitiça!
A estabilidade incomoda e a versatilidade dói,
o amor acomoda-se e a paixão vai!
Eis que no contexto contraditório...
... a vida troca as voltas!
O tempo passa e a vida amorna!
Não se lutou, ficou-se à porta...
Não se devia ter entrado naquele chão!
Dever-se-ia ter ficado a olhar?
Lutar ou resignar?
A vida pede que crescemos,
que surja fruta madura...
Mas apenas com uma boa dose de sol, água e terra!
Um sol que nos ame,
água que nos refresque e sacie,
e terra fértil que nos mantenha sãos!

Poema reestruturado de um outro elaborado em 1/10/2007